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segunda-feira, 10 de março de 2014

A prancha de surf como extensão do corpo

Texto Madeira & Água Publicado em: Surfari
 
Existem certas paixões entre humanos e objetos. Eu mesmo já tive fortes sentimentos por algumas pranchas de surf, por exemplo. Isto pode parecer bizarro em um primeiro momento, mas acontece o tempo todo, uma cumplicidade entre as pess
oa e suas coisas. Uma famosa cientista ganhadora de Premio Nobel escreveu um livro chamado Elogio a Imperfeição, que talvez explique certas feições e curvas que fazem as pranchas de surf me parecerem vivas e muitas vezes, sensuais.




A bióloga Rita Levi-Montalcini trouxe um olhar poético aos nossos defeitos, alegando justamente que as limitações humanas possibilitaram tamanha evolução. Por exemplo, nosso faro animal ruim fez com que aprendêssemos a andar sobre os pés para enchergar melhor, e com as mãos livres construímos objetos, o arco e flecha para compensar o fato de não voar, embarcações por não nadarmos tão bem como os peixes, e por aí vai. Nossa relação com estes objetos passa a ser muito íntima, uma autêntica extenção do corpo. 


Esta teoria sobre as tecnologias não é minha. Para André Leroi Gourham, os nossos objetos e ferramentas são incorporados aos membros, na busca incessante de solucionar às imperfeições do corpo. E não por menos, as pranchas de surf tomam feições meio humanas, meio peixe, meio tecnológicas. Para nós, tão vulneráveis nadando sobre o oceano, fracos diante das ondas, em cima de uma prancha de surfe domamos o fenômeno com arte e beleza.

 Pensando assim, não é tão estranho nos sentirmos atraídos por tecnologias como estas, simples, belas e divertidas. As pranchas de surf são uma extenção dos membros e como o corpo humano, cheias de curvas e personalidade. Depois de bons momentos de prazer dentro do mar, como não se apaixonar por estes objetos... 



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Influencias do design no estilo de surfar dos anos 60

Texto Madeira & Água Publicado em: Almasurf

Já se perguntou como a tecnologia e o design das pranchas influenciam a forma de surfar? Logicamente não se trata apenas disto, geração após geração, atletas deixaram sua marcas e estilo. Mas conforme os equipamentos evoluíram, a performance do surfistas cresceu vertiginosamente, abrindo novas fronteiras.
O vídeo Hot Generation, de 1967, é perfeito para entender esta relação.



O vídeo é um registro raro, com belíssimas imagens e uma trilha sonora instrumental que dá ainda mais valor ao material. Tratam-se de figuras lendárias do esporte, surfando um "mar de brigadeiro" com o modelo que precedeu as pranchinhas de surf como as que usamos hoje. Reparem no surf com muito estilo!


A transição dos pranchões  dos anos 60 (maiores que 9'0) para as pranchinhas  com alto desempenho (6'0), foi um modelo hibrido semelhante aos fanboards de hoje (7'0). Alguns shapers e surfistas impulsionaram esta mudança, como George Greennough, Bob Mactavish.

As quilhas finas e profundas, com a curvatura de um rabo de atum, posicionadas mais para o meio, ainda eram novidade e conciliavam curvas sinuosas (pivot) um aproveitamento da onda muito maior. O fundo em V (vee-bottom) dava mais velocidade, mas como vemos, ainda faltavam acertos no shape e alguma manobras saem desajeitadas, além da dificuldade para se colocar dentro do tubo.   


O Autraliano Nat Young  é uma referência nesta transição para as pranchas modernas.
Fotos tiradas da revista ParafinaMag.


O surfe destes caras é referência até hoje, começando a desenhar batidas, floater e ragadas, num tempo em que o estilo ainda contava mais do que as manobras. A maior liberdade de movimentos do conjunto prancha e quilha permitiram os surfistas dançarem   na parede da onda.  Aí veio a década de 1970, e o negócio começou a ficar mais agressivo. 


O video foi feito em 1967 por Paul Witzig's. Surfando estão Nat Young, George Greenough, Midget Farrelly, Peter Drouyn and Rodney Sumpter.