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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Origens do surf: a Vaka Moana e o Outrigger Surf



Réplica de uma canoa Vaka feita com a madeira Koa

 O Havaí foi descoberto por polinésios vindos das Ilhas Marquesas por volta de 300 DC, mas hoveram, outras ondas migratórias que ocorreram por volta do ano 1000 DC, possivelmente de Bora Bora e das Ilhas Sociedade, onde hoje é a Polinésia Francesa. 
 
Um signo desta cultura ancestral é a Vaka Moana, uma canoa de dois cascos encontrada desde a Nova Guiné, à Ilha de Páscoa. As embarcações polinésias eram extremamente simples se comparadas ao Ocidente, mas muito eficiente. Estes povos não possuíam escrita ou metalurgia, e provavelmente as tecnicas de construção das canoas faziam parte das tradições, passadas oralmente, com auxílio de musicas e rituais.

O curioso é que, mesmo sem escrita, nativos da Nova Zelândia à Polinésia Francesa, da Ilha de Páscoa ao Havaí, separados por centenas de anos e milhares de quilômetros, conseguiram conservar aspectos linguísticos e culturais intactos. Eram grandes observadores e conhecedores da natureza. Hoje reconhecemos a sabedoria destes povos em diversas áreas, como astronomia, fenômenos meteorológicos, vida marinha, agricultura, hidrodinâmica, construção de embarcações, entre muitos outros. 

Um dos pontos mais notáveis daqueles povos do Pacífico é a navegação. O sistema polinésio era baseado em observações das estrelas, das correntes, ventos, aves marinhas e uma série de outros aspectos que permitia fazerem longas viagens com grande precisão.

E o que tudo isto tem a ver com o surf? 
Segue a explicação: https://www.youtube.com/watch?v=zsymftP-4Fg

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Arquétipos do Surf

Gravura de Katsushika Hokusai , 1831. Arquétipos do mar.


Já perguntou para uma pessoa porque ela gosta de surfe? A sensação de descer uma onda, o oceano, a adrenalina, o estilo de vida, a identidade visual, a resposta será um misto de tudo isto. E já perguntou por que alguém prefere beber coca cola ou tubaína? 



Muito do que a gente faz tem significados escondidos, imagens e ideias que não temos consciência. Mas o surfe é diferente do refrigerante, que você aprendeu a gostar por uma experiência do passado ou por causa de propagandas muito bem elaboradas. O surf tem arquétipos do mar próprios dos povos polinésios. Isto é, idéias muitíssimo introjetadas na mente humana, como o enfrentamento da natureza e a busca pelo paraíso intocado.


Arquétipos do mar são muito mais antigos, mas o surfe começou provavelmente a varias centenas de anos, quando o povo polinésio começou a ocupar uma constelação de ilhas soltas em uma área imensa do Oceano Pacífico. Mestres na arte de navegar longas distâncias em simples canoas, geração a geração, buscavam novos lugares para viver quando começava a ficar muito cheio, faltando comida ou espaço. Partiam para o desconhecido, confiantes nos conhecimentos da natureza e de navegação. 

Uma destas linhagens de navegantes polinésios desembarcada nas ilhas havaianas, vivendo o verdadeiro estereótipo de paraíso que temos em mente, brincavam de pegar carona nas ondas perfeitas ao longo da costa. Mais do que divertido, o surfe significava ao mesmo tempo o respeito pelo oceano e a coragem de doma-lo. O sacrifício de enfrentar o mar bravo no peito aberto e o prazer de deslizar na onda, o surfe representa a saga daqueles povos, uma síntese de uma vida ancestral, a busca incessante do Edem. 


E quem diria, um esporte tão sofisticado é representação algo tão antigo do ser humano.